História de Lisboa – Origem

História de Lisboa – Origem

À cidade e História de Lisboa são atribuídas várias imagens. Ora surge na forma de jovem com uma coroa de castelos segurando uma nau, rodeada de corvos , ora na forma de mulher, desfalecida, amparada por Marte, com o escudo e caravela aos pés , ora vestida de azul, com a chave na mão, que oferece aos seus ilustres visitantes , ora através de outras representações gráficas em selos medievais, brasões, mapas, iluminuras, gravuras, pinturas a óleo ou fotografias.

O fundador de Lisboa, todos sabemos, foi Ulisses. Seduzido pelo local “onde a terra se desvia”, entre “os montes da Lua e as colinas barbáricas”, Ulisses trazido pelos redemoinhos dos ventos, decidiu aqui passar o Inverno, esquecendo-se do regresso, tão bem se sentindo entre os Lusíadas, até que um dia o chamamento de Penélope o fez partir.

Lisboa, situada entre dois cabos – o cabo da Roca e o Cabo Espichel -, teve origem numa colina alta da margem norte do rio Tejo, a colina do Castelo, com encostas abruptas sobre o estuário do Tejo, beneficiando das possibilidades de abrigo que a sua ampla enseada proporciona à navegação.

Escavações realizadas no claustro da Sé e na Casa dos Bicos atestam que um importante núcleo de população oriental, principalmente gregos e cartagineses, existiria já em Lisboa antes da romanização.

A Lisboa atual assenta sobre a antiga cidade romana, embora os fenómenos naturais e as mutações urbanas tenham em muitos casos escondido ou destruído os vestígios. Resta-nos visitar o teatro romano e observar algumas lápides com inscrições, estátuas, peças de cerâmica e moedas nos diferentes museus da cidade, e, na baixa lisboeta, descer às profundezas e visitar os vestígios de uma unidade industrial de produção de conservas de peixe. Junto às unidades fabris encontrou-se também um espaço de termas com piscinas e o primeiro pavimento descoberto em Lisboa. Na Casa dos Bicos foram encontradas cetárias reveladoras da presença da indústria de conservas de peixe.

O espaço citadino de Olisipo ocupava uma área de 35 hectares, entre o Castelo de S. Jorge e a Rua dos Bacalhoeiros, a Rua Augusta e o Chafariz d’ El Rei. A cidade terá sido fortificada em 138 ou 137 a.C. A primeira zona fortificada situar-se-ia no topo da colina, estendendo-se por uma área próxima da posterior cerca moura, parcialmente coincidente com a cerca romana.

Na atual praça do Rossio, então subúrbio de Olisipo, terá existido um hipódromo. Com o seu teatro, termas, circo, templo e fórum Olisipo apresentava os elementos próprios de uma cidade romana de modestas dimensões, mas com uma elevada densidade populacional.

Da perseguição movida aos cristãos, entre 303 e 305, tornaram-se mártires da cidade, Veríssimo, Máxima e Júlia, que foram torturados e arrastados pela cidade antes de serem decapitados, na zona atualmente denominada Santos.

Em 411 os bárbaros instalaram-se na Lusitânia, e em 468, o governador romano de Lisboa, entregou a cidade aos Suevos.

Lisboa foi integrada no mundo muçulmano em 714/715, após uma transição pacífica, sob ameaça de conquista de viva força, os moçárabes constituindo a maioria da população nas zonas submetidas ao Islão.

A zona mais animada da Medina (cidade intramuros) de Lisboa ligaria as Portas do Sol às Portas do Ferro, passando pela mesquita, construída em taipa, que foi identificada nas escavações do atual claustro da Sé. A catedral cristã terá reutilizado materiais provenientes da mesquita, ela própria construída sobre uma via romana.

Mas uma parte importante da população de Lisboa continuou a ser cristã e a ser espiritualmente assistida pelo seu clero. Para o então bispo de Braga, por exemplo, Lisboa tinha continuadamente sido cristã e os mouros deviam regressar ao seu país, abandonando o que tinham obtido pela fraude.

Face ao pedido de ajuda de D. Afonso Henriques aos cruzados para a conquista de Lisboa, alguns cruzados ingleses mostraram-se reticentes, porque já tinham participado em 1142 num cerco infrutífero à cidade, temendo perder tempo e recursos no seu caminho para a Terra Santa, mas acabaram por ceder, após os alemães e os flamengos terem decidido colaborar. Os cruzados prepararam-se, então para o cerco à cidade de Lisboa e construíram duas igrejas, uma para os colonenses e flamengos a oriente e outra para os ingleses e normandos a ocidente, que estiveram na origem das duas primeiras freguesias extramuros: São Vicente de Fora e Santa Maria dos Mártires. O cerco durou 17 semanas e terminou em glória com a entrada solene do rei, dos cavaleiros e arcebispos com a bandeira da cruz, posta a flutuar no topo do castelo.

Os mouros que não se converteram, nem fugiram para locais que permaneciam sob domínio muçulmano, tiveram que deixar a zona intramuros para residir no arrabalde fechado, enquanto os judeus permanecerem intramuros, em zonas segregadas.

Intramuros, as portas, locais de intensas trocas, abriam-se de madrugada e eram fechadas ao toque das trindades , guardadas por santos protetores, como a Porta de São Vicente. Para lá das portas existiam os arrabaldes, sem proteção, onde se desenvolviam atividades poluentes – os fornos de olaria e as ferrarias – e a prostituição.

Com o triunfo cristão assistiu-se à estruturação das paróquias e ao início da construção de edifícios religiosos – a freguesia da Santa Maria da Sé foi fundada logo em 1147 e as obras para a construção da Sé foram impulsionadas por D. Afonso Henriques, e nela participaram os seus mouros cativos.

Após a reconquista, a paisagem rural à volta de Lisboa povoou-se e cresceu e os seus olivais, campos de trigo, vinhas e hortas mudaram de proprietários. A capacidade de atração de Lisboa superava a de outras cidades.

Para experienciar e visitar estes locais históricos da cidade de Lisboa, sugerimos uma visita guiada a pé com Lisbonhost.

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